Em um mundo indisposto a escutar, ou incapaz de fazê-lo, como podemos ser persuadidos a continuar a pregar e a aprender a fazê-lo de modo eficaz? O segredo essêncial não é dominar certas técnicas, mas ser dominado por determinadas convicções. A teologia é mais importante do que a metodologia. Ao colocarmos a questão em termos tão francos, não estou despresando a homilética como um tema de estudos nos seminários, mas afirmando que a homilética pertence apropriadamente ao departamento de teologia prática e que não pode ser ensinada sem um fundamento teológico sólido. Não há dúvidas de que existem princípios de pregação a ser aprendido e a prática a ser desenvolvida, mas é tão fácil confiar demais neles. a técnica pode somente nos tornar oradores; se quisermos ser pregadores, é da teologia que precisamos. Se a teologia estiver certa, teremos automaticamente todos os entendimentos básicos daquilo que devemos fazer e todos os incentivos dos quais precisamos para nos induzir a fazê-lo fielmente. Pessoas sérias e pensativas nos dias atuais estão pedindo semelhante pregação, sem a acharem. Qual a razão disso? o motivo principal talvez seja uma convicção no tocante à importância da pregação. É, portanto, razoável e caridoso supor que entre nós, os que foram chamados para pregar(tanto Pastores quanto pregadores leigos), tenham plena convicção de ser isto que devem fazer, então só bastaria por em prática. Se, portanto, não estamos fazendo o que devemos, a única explicação é, forçosamente, que nos falta a convicção necessária.
Portanto é necessário para a glória de Deus e para o bem da igreja, a pregação bíblica correta. Daí cinco argumentos que reforçam à prática da pregação. Dizem respeito à doutrina e das Escrituras sagradas, da igreja e do pastorado, e da natureza da pregação como exposição. qualquer uma dessas verdades basta para nos convencer da importância da teológica para a pregação.
I - UMA CONVICÇÃO A RESPEITO DE DEUS
Por detrás do conceito e do ato da pregação acha-se uma doutrina de Deus, uma convicção a respeito de sua existência, da sua atuação e do seu propósito. O tipo de Deus em quem cremos determinará o tipo de sermão que pregaremos. Um cristão deve ser, no mínimo, um teólogo amador antes de pretender a ser um pregador.
TRES AFIRMAÇÕES A RESPEITO DE DEUS SÃO ESPECIALMENTE RELEVANTES.
PRIMEIRA: "Deus é Luz; Nele não há trevas (I João 1.5).
Ora, o simbolismo é rico e diverso, e a afirmação de que Deus é Luz tem sido interpretada de várias maneiras. pode significar que Deus é perfeito em santidade, pois frequentemente nas Escrituras a luz simboliza a pureza, e as trevas a iniqüidade. Mas na literatura joanina, a luz, freqüentemente, representa a verdade, como na declaração de Jesus "Eu sou a luz do mundo" (João 8.12); esse o sentido também na ordem que deu aos seus de deixar a luz brilhar na sociedade humano, em vez de escondê-la (Mt 5.14-16). nesse caso, a declaração de João de que Jesus de que Deus é luz e não possui trevas nenhuma significa que Deus é manifesto e não secreto, e que se deleita em ser conhecido. Podemos dizer, portanto, que assim como brilhar é da natureza da luz, também é da natureza de Deus revelar-se. É verdadwe dizer que ele se oculta dos altamante sábios e cultos, mas isso somente porque são orgulhosos e não querem conhecê-lo; ele se revela aos "pequeninos", isto é, às pessoas suficientemente humildes para acolher a revelação que Ele fez de si mesmo(Mt 11.25-26). A razão principal porque as pessoas não conhecem a Deus não é porque Ele se oculta a elas, mas é porque elas se escondem Dele. Descrevemos como 'comunicativas" as pessoas que estão muito desejosas de compartilhar seus pensamentos com o próximo. Não podemos, portanto, aplicar a Deus o mesmo adjetivo? Ele não brinca de "esconde-esconde" conosco, nem fica invisivelmente nos espreitando nas sombras. As trevas são o habitar de Satanás; Deus é luz.
Cada pregador precisa do forte encorajamento que essa certeza oferece. sentadas diante de nós na igreja, há pessoas numa ampla variedade de condições: algumas alienadas de Deus, outras perprexas e desnorteadas pelos mistérios da existência humana, ao passo que outras ainda estão envoltas na noite escura da dúvida e da incredulidade. Precisamos ter a certeza, quando falamos com elas, de que Deus é Luz e que deseja fazer raiar sua luz dissipando as trevas que há dentro delas (2Co 4.4-6).
EM SEGUNDO LUGAR: Deus tem agido. Isto é: Ele tomou a iniciativa para se revelar em ações. Já de início, revelou seu poder e sua divindade no universo criado, de modo que os céus e a terra revelem a sua glória. Entretanto, Deus tem revelado ainda mais de si mesmo na redenção do que na criação. Isso porque, quando os homem se rebelou contra o Criador, Deus em vez de destruí-lo, planejou uma missão de salvamento, cuja operação é o fato central da história da humanidade. Pose-se dizer que o Antigo Testamento conciste em tres ciclos de livramento divino: 1) quando Deus chamou Abraãodo meio de Ur; 2) quando chamou os escravos israelitas do meio do Egito; e 3) quando chamou os exilados do meio da Babilônia. Cada uma dessas ocasiões era uma libertação e levou a criação ou renovação da aliança mediante a qual Deus fez deles povo seu e se comprometeu a ser o seu Deus.
O Novo Testamento enfoca outra redenção e aliança, descrita tanto como "melhor" quanto como "eterna". Essas pois, foram conseguidas mediante os atos poderosíssimos de Deus, mediante o nascimento, morte e ressurreição do seu Filho, Jesus Cristo.
O Deus da Bíblia, portanto, é um Deus de atividade libertadora, que veio salvar a humanidade oprimida, e que assim se revelou como o Deus da graça ou da generosidade.
EM TERCEIRO LUGAR: Deus tem falado. Ele não somente é comunicativo por sua própria natureza, como também realmente se comunicou com o seu povo mediante a fala. A declaração constantemente reiterada pelos profetas do Antigo Testamento é que "a palavra do senhor" veio até eles. Como consequencia, riam-se dos ídolos pagãos por serem estes mudos: "Tem boca, mas não podem falar"(Salmo115.5). Com esses, contrastavam o Deus vivo. Sendo Espírito, Ele não tinha boca, porém não hesitavam em dizer: "... foi a boca do Senhor que disse isso' (Isaías 40.5; 55.11).
É importante acrescentar que a fala de Deus relacionava-se com a sua atividade. Dava-se ao trabalho de explicar o que estava fazendo. Chamou Abraão para sair de Ur? Sim, mas também falou com ele a respeito do propósito divino e lhe deu a aliança da promessa.
Chamou o povo de israel para sair da escravidão no Egito? sim, mas também comissionou Moiséis para lhes explicar o porque da convocação: para cumprir a promessa feita a Abrão, Isaque e a Jacó, para confirmar sua aliança com eles, para lhes dar suas leis e para instruí-los na adoração a Ele. Chamou o povo para sair da humilhação do exílio na Babilônia? sim, mas também levantou profetas para explicar as razões por que seu juízo divino caíra sobre eles, as condições segundo as quais os restauraria e o tipo de povo que queria que eles fossem. enviou seu filho para se tornar homem, para viver e servir na terra, para morrer para ressuscitar, para reinar e para derramar o seu Espírito? sim, mas também escolheu apóstolos e também os preparou para ver suas obras, para ouvir suas palavras, e para dar testemunho daquilo que tinham visto e ouvido.
A tendência teológica é atribuir muita ênfaseà atividade histórica de deus e negar que Ele tenha falado: dizer que a revalação que Deus fez de si mesmo foi em ações, e não em palavras, que foi pessoal, e não proposicional; e realmente insistir que a própria redenção é em si a revelação. Mas essa é uma falsa distinção que as próprias Escrituras não contemplam. Pelo contrário, as Escrituras afirmam que Deus tem falado tanto por meio das ações históricas quanto por meio das palavras explicativas, e que as duas pertencem indissolúvelmente uma à outra. até mesmo a palavra que se tornou carne - o auge da revelação progressiva que Deus fez de si mesmo - teria permanecido enigmática se o próprio Jesus não tivesse falado e se os apóstolos não o descrevessem nem o interpretassem.
Temos aqui, portanto, uma convicção fundamental a respeito do Deus vivo que redime e se revela. É o alicerce de toda a pregação cristã. Nunca devemos ter a presunção de ocupar um púlpito a não ser que creiamos nese Deus. Como ousaríamos falar, se Deus não falou? Por nós mesmos, nada temos para dizer. Dirigir-nos a uma congregação sem nenhuma certeza de que estamos levando uma mensagem divina seria o máximo da arrogância e da estultícia. É quando estamos convictos de que Deus é luz(e assim quer ser conhecido), de que Ele tem agido (por isso se tornou conhecido), que devemos falar e não mante silêncio. Conforme Amós explicou o caso: "O leão rugiu, quem não temerá? O Senhor, o Soberano, falou, quem não profetizará?" (Am 3.8). Uma lógica semelhante se acha por detrás da declaração de Paulo: "Está escrito: "Cri por isso falei". Com esse mesmo espírito de fé nós também cremos e, por isso, falamos" (2Co 4.13 citando Sl 116.10). O "espírito de fé" por ele referido é a convicção de que Deus tem falado. Se não tivermos certeza disso, será melhor fecharmos a boca. No entanto, uma vez convictos de que Deus tem falado, também devemos falar.Repousa sobre nós uma compulsão. Nada e nem ninguém poderá nos silenciar.
UMA CONVICÇÃO A RESPEITO DAS ESCRITURAS
A doutrina de Deus leva natural e inevitavelmente à doutrina das Escritura. Embora tivesse dado a esta o título de "Uma convicção a respeito das Escrituras", trata-se, na realidade, de uma convicção múltipla que pode ser analisada em pelo menos três crenças distintas, porém mutuamente correlatas.
A primeira é que a Escritura é a palavra de Deus escrita. a palavra de Deus escrita é uma definição excelente das Escrituras Sagradas. Isso porque uma coisa é crer que "Deus tem agido" e se revelado em ações históricas de salvação, e supremamente na Palavra que se tornou carne. Outra coisa, bem diferente, é crer que "Deus tem falado", inspirando os profetas e os apóstolos a interpretar as ações dele. Uma terceira etapa ainda é crer que a fala divina, que registra e explica a atividade divina, tem sido registrada por escrito. Somente assim, porém, é que a revelação particular de Deus pode se tornar universal, "tudo quanto Ele disse e Fez em Israel e em Cristo pôde ser colocado à disposição em todas as eras e lugares. Portanto, a ação, a fala e a escrita, juntas, fazem parte integrante do propósito de Deus.
Definir as Escrituras como "Palavra de Deus escrita", porém, diz pouco, a respeito dos agentes humanos através dos quais Deus falou e por meio dos quais sua palavra foi gegistrada por escrito. daí a necessidade da qualificação ser necessária. Quando Deus fala, seu método normal não era gritar em voz audível a partir do céu azul. a inspiração não é ditado. Em vez disso, colocou sua palavra na mente e na boca humana, de tal maneira que os pensamentos que concebiam e as palavras que falavam eram simultânea e completamente humana e divinas.
A inspiração não era comparável, de modo algum, com suas pesquisas históricas, nem com o exercício livre da mente deles. É essêncial, portanto, se é para sermos leais ao retrato que a Bíblia oferece de si mesma, afirmar a sua autoria humana, assim como a divina. Mesmo assim, devemos tomar o cuidado de declarar a dupla autoria da Bíblia de tal maneira que sustentemos tanto o fator divino quanto o humano, sem permitir que um deles detraia do outro. Por um lado a inspiração divina não se sobrepunha à inspiração divina.
A Bíblia é igualmente as palavras de Deus e as palavras do homem, assim como de modo semelhante (porém não idêntico) Jesus Cristo é tanto Filho de Deus quanto filho do homem. a bíblia é a Palavra de Deus escrita, a Palavra de Deus através das palavras dos homens, falada por meio da boca humana e escrita por meio mãos humanas.
Portanto é necessário para a glória de Deus e para o bem da igreja, a pregação bíblica correta. Daí cinco argumentos que reforçam à prática da pregação. Dizem respeito à doutrina e das Escrituras sagradas, da igreja e do pastorado, e da natureza da pregação como exposição. qualquer uma dessas verdades basta para nos convencer da importância da teológica para a pregação.
I - UMA CONVICÇÃO A RESPEITO DE DEUS
Por detrás do conceito e do ato da pregação acha-se uma doutrina de Deus, uma convicção a respeito de sua existência, da sua atuação e do seu propósito. O tipo de Deus em quem cremos determinará o tipo de sermão que pregaremos. Um cristão deve ser, no mínimo, um teólogo amador antes de pretender a ser um pregador.
TRES AFIRMAÇÕES A RESPEITO DE DEUS SÃO ESPECIALMENTE RELEVANTES.
PRIMEIRA: "Deus é Luz; Nele não há trevas (I João 1.5).
Ora, o simbolismo é rico e diverso, e a afirmação de que Deus é Luz tem sido interpretada de várias maneiras. pode significar que Deus é perfeito em santidade, pois frequentemente nas Escrituras a luz simboliza a pureza, e as trevas a iniqüidade. Mas na literatura joanina, a luz, freqüentemente, representa a verdade, como na declaração de Jesus "Eu sou a luz do mundo" (João 8.12); esse o sentido também na ordem que deu aos seus de deixar a luz brilhar na sociedade humano, em vez de escondê-la (Mt 5.14-16). nesse caso, a declaração de João de que Jesus de que Deus é luz e não possui trevas nenhuma significa que Deus é manifesto e não secreto, e que se deleita em ser conhecido. Podemos dizer, portanto, que assim como brilhar é da natureza da luz, também é da natureza de Deus revelar-se. É verdadwe dizer que ele se oculta dos altamante sábios e cultos, mas isso somente porque são orgulhosos e não querem conhecê-lo; ele se revela aos "pequeninos", isto é, às pessoas suficientemente humildes para acolher a revelação que Ele fez de si mesmo(Mt 11.25-26). A razão principal porque as pessoas não conhecem a Deus não é porque Ele se oculta a elas, mas é porque elas se escondem Dele. Descrevemos como 'comunicativas" as pessoas que estão muito desejosas de compartilhar seus pensamentos com o próximo. Não podemos, portanto, aplicar a Deus o mesmo adjetivo? Ele não brinca de "esconde-esconde" conosco, nem fica invisivelmente nos espreitando nas sombras. As trevas são o habitar de Satanás; Deus é luz.
Cada pregador precisa do forte encorajamento que essa certeza oferece. sentadas diante de nós na igreja, há pessoas numa ampla variedade de condições: algumas alienadas de Deus, outras perprexas e desnorteadas pelos mistérios da existência humana, ao passo que outras ainda estão envoltas na noite escura da dúvida e da incredulidade. Precisamos ter a certeza, quando falamos com elas, de que Deus é Luz e que deseja fazer raiar sua luz dissipando as trevas que há dentro delas (2Co 4.4-6).
EM SEGUNDO LUGAR: Deus tem agido. Isto é: Ele tomou a iniciativa para se revelar em ações. Já de início, revelou seu poder e sua divindade no universo criado, de modo que os céus e a terra revelem a sua glória. Entretanto, Deus tem revelado ainda mais de si mesmo na redenção do que na criação. Isso porque, quando os homem se rebelou contra o Criador, Deus em vez de destruí-lo, planejou uma missão de salvamento, cuja operação é o fato central da história da humanidade. Pose-se dizer que o Antigo Testamento conciste em tres ciclos de livramento divino: 1) quando Deus chamou Abraãodo meio de Ur; 2) quando chamou os escravos israelitas do meio do Egito; e 3) quando chamou os exilados do meio da Babilônia. Cada uma dessas ocasiões era uma libertação e levou a criação ou renovação da aliança mediante a qual Deus fez deles povo seu e se comprometeu a ser o seu Deus.
O Novo Testamento enfoca outra redenção e aliança, descrita tanto como "melhor" quanto como "eterna". Essas pois, foram conseguidas mediante os atos poderosíssimos de Deus, mediante o nascimento, morte e ressurreição do seu Filho, Jesus Cristo.
O Deus da Bíblia, portanto, é um Deus de atividade libertadora, que veio salvar a humanidade oprimida, e que assim se revelou como o Deus da graça ou da generosidade.
EM TERCEIRO LUGAR: Deus tem falado. Ele não somente é comunicativo por sua própria natureza, como também realmente se comunicou com o seu povo mediante a fala. A declaração constantemente reiterada pelos profetas do Antigo Testamento é que "a palavra do senhor" veio até eles. Como consequencia, riam-se dos ídolos pagãos por serem estes mudos: "Tem boca, mas não podem falar"(Salmo115.5). Com esses, contrastavam o Deus vivo. Sendo Espírito, Ele não tinha boca, porém não hesitavam em dizer: "... foi a boca do Senhor que disse isso' (Isaías 40.5; 55.11).
É importante acrescentar que a fala de Deus relacionava-se com a sua atividade. Dava-se ao trabalho de explicar o que estava fazendo. Chamou Abraão para sair de Ur? Sim, mas também falou com ele a respeito do propósito divino e lhe deu a aliança da promessa.
Chamou o povo de israel para sair da escravidão no Egito? sim, mas também comissionou Moiséis para lhes explicar o porque da convocação: para cumprir a promessa feita a Abrão, Isaque e a Jacó, para confirmar sua aliança com eles, para lhes dar suas leis e para instruí-los na adoração a Ele. Chamou o povo para sair da humilhação do exílio na Babilônia? sim, mas também levantou profetas para explicar as razões por que seu juízo divino caíra sobre eles, as condições segundo as quais os restauraria e o tipo de povo que queria que eles fossem. enviou seu filho para se tornar homem, para viver e servir na terra, para morrer para ressuscitar, para reinar e para derramar o seu Espírito? sim, mas também escolheu apóstolos e também os preparou para ver suas obras, para ouvir suas palavras, e para dar testemunho daquilo que tinham visto e ouvido.
A tendência teológica é atribuir muita ênfaseà atividade histórica de deus e negar que Ele tenha falado: dizer que a revalação que Deus fez de si mesmo foi em ações, e não em palavras, que foi pessoal, e não proposicional; e realmente insistir que a própria redenção é em si a revelação. Mas essa é uma falsa distinção que as próprias Escrituras não contemplam. Pelo contrário, as Escrituras afirmam que Deus tem falado tanto por meio das ações históricas quanto por meio das palavras explicativas, e que as duas pertencem indissolúvelmente uma à outra. até mesmo a palavra que se tornou carne - o auge da revelação progressiva que Deus fez de si mesmo - teria permanecido enigmática se o próprio Jesus não tivesse falado e se os apóstolos não o descrevessem nem o interpretassem.
Temos aqui, portanto, uma convicção fundamental a respeito do Deus vivo que redime e se revela. É o alicerce de toda a pregação cristã. Nunca devemos ter a presunção de ocupar um púlpito a não ser que creiamos nese Deus. Como ousaríamos falar, se Deus não falou? Por nós mesmos, nada temos para dizer. Dirigir-nos a uma congregação sem nenhuma certeza de que estamos levando uma mensagem divina seria o máximo da arrogância e da estultícia. É quando estamos convictos de que Deus é luz(e assim quer ser conhecido), de que Ele tem agido (por isso se tornou conhecido), que devemos falar e não mante silêncio. Conforme Amós explicou o caso: "O leão rugiu, quem não temerá? O Senhor, o Soberano, falou, quem não profetizará?" (Am 3.8). Uma lógica semelhante se acha por detrás da declaração de Paulo: "Está escrito: "Cri por isso falei". Com esse mesmo espírito de fé nós também cremos e, por isso, falamos" (2Co 4.13 citando Sl 116.10). O "espírito de fé" por ele referido é a convicção de que Deus tem falado. Se não tivermos certeza disso, será melhor fecharmos a boca. No entanto, uma vez convictos de que Deus tem falado, também devemos falar.Repousa sobre nós uma compulsão. Nada e nem ninguém poderá nos silenciar.
UMA CONVICÇÃO A RESPEITO DAS ESCRITURAS
A doutrina de Deus leva natural e inevitavelmente à doutrina das Escritura. Embora tivesse dado a esta o título de "Uma convicção a respeito das Escrituras", trata-se, na realidade, de uma convicção múltipla que pode ser analisada em pelo menos três crenças distintas, porém mutuamente correlatas.
A primeira é que a Escritura é a palavra de Deus escrita. a palavra de Deus escrita é uma definição excelente das Escrituras Sagradas. Isso porque uma coisa é crer que "Deus tem agido" e se revelado em ações históricas de salvação, e supremamente na Palavra que se tornou carne. Outra coisa, bem diferente, é crer que "Deus tem falado", inspirando os profetas e os apóstolos a interpretar as ações dele. Uma terceira etapa ainda é crer que a fala divina, que registra e explica a atividade divina, tem sido registrada por escrito. Somente assim, porém, é que a revelação particular de Deus pode se tornar universal, "tudo quanto Ele disse e Fez em Israel e em Cristo pôde ser colocado à disposição em todas as eras e lugares. Portanto, a ação, a fala e a escrita, juntas, fazem parte integrante do propósito de Deus.
Definir as Escrituras como "Palavra de Deus escrita", porém, diz pouco, a respeito dos agentes humanos através dos quais Deus falou e por meio dos quais sua palavra foi gegistrada por escrito. daí a necessidade da qualificação ser necessária. Quando Deus fala, seu método normal não era gritar em voz audível a partir do céu azul. a inspiração não é ditado. Em vez disso, colocou sua palavra na mente e na boca humana, de tal maneira que os pensamentos que concebiam e as palavras que falavam eram simultânea e completamente humana e divinas.
A inspiração não era comparável, de modo algum, com suas pesquisas históricas, nem com o exercício livre da mente deles. É essêncial, portanto, se é para sermos leais ao retrato que a Bíblia oferece de si mesma, afirmar a sua autoria humana, assim como a divina. Mesmo assim, devemos tomar o cuidado de declarar a dupla autoria da Bíblia de tal maneira que sustentemos tanto o fator divino quanto o humano, sem permitir que um deles detraia do outro. Por um lado a inspiração divina não se sobrepunha à inspiração divina.
A Bíblia é igualmente as palavras de Deus e as palavras do homem, assim como de modo semelhante (porém não idêntico) Jesus Cristo é tanto Filho de Deus quanto filho do homem. a bíblia é a Palavra de Deus escrita, a Palavra de Deus através das palavras dos homens, falada por meio da boca humana e escrita por meio mãos humanas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário